TRECHOS DE DEUS: Um julgamento muito importante para você!

Max Lucado

João nos conta tudo o que Jesus fez. Mas nos conta os atos que nos conduzirão a fé. João seleciona sete milagres. […]Sete milagres são oferecidos,e sete depoimentos são examinados, cada um construído sobre o depoimento anterior.

Vejamos se conseguimos sentir todo o impacto deles.

Pense que você está numa corte, numa corte quase vazia. Estão presentes quatro pessoas: um juiz, um advogado, um órfão e o candidato a tutor. O juiz é Deus. Jesus é o que pretende ser tutor. E você, o órfão. Você não tem nome, não tem herança, não tem casa. O advogado está propondo que você seja colocado sob a guarda de Jesus.

Quem é o advogado? Um pescador Galileu de nome João.

Ele apresentou seis testemunhas à corte. Chegou a hora da sétima. Mas antes de chamá-la à frente, o advogado recapitula o caso.

Começamos esta defesa com o casamento em Caná.

Caminha enquanto fala, mede cada palavra.

Eles não tinham vinho, nada. Mas quando Jesus falou a água tornou-se em vinho. O melhor vinho. Vinho delicioso. Os senhores ouviram o depoimento dos que estavam no casamento. E viram o que aconteceu.

Faz uma pausa, depois continua.

Em seguida ouvimos as palavras do oficial estrangeiro. O filho dele estava quase morto.

Você concorda com a cabeça. Lembra-se do depoimento do homem. Bem articulado ele havia contado como chamara todos os médicos e tentara todos os tratamentos, mas nada salvara o filho. Quando já estava perdendo as esperanças, alguém lhe falara de um Galileu que promovia curas.

Com seu sotaque forte, o dignitário explicara:

Eu não tinha escolha. Fui a Ele desesperado. Vejam. Vejam o que o Mestre fez por meu filho.

O menino se levantara, e você o havia examinado com os olhos. Era difícil acreditar que aquele garoto estivera à beira da morte.

Você ouve compenetrado, quando João continua:

E, meritíssimo, não esqueça o aleijado, perto do tanque. Passou trinta e oito anos sem andar. Mas quando Jesus chegou… Bem, a corte viu. Lembra-se? Nós o vimos entrar caminhando nessa sala. Ouvimos sua história. E, como se não fosse suficiente, também ouvimos o depoimento do menino com o lanche. Ele fazia parte da multidão de milhares que seguiam a Jesus para ouvir seus ensinos e ver suas curas. Bem na hora em que o menino ia abrira esta para comer, pediram que ele o levasse para Jesus. Num primeiro momento, ele carregava um lanche, no instante seguinte, carregava uma festa.

João faz nova pausa, deixando falar o silêncio da corte. Ninguém consegue negar esses depoimentos. O juiz ouve. O advogado ouve. E Você, o órfão, nada diz.

Depois houve a tempestade. Pedro a descreveu para nós. O barco sendo jogado pelas ondas. Trovões. Relâmpagos. Tempestades daquele tipo podem matar. Eu sei. Eu trabalhava com um barco! O depoimento de Pedro sobre o que aconteceu é verdadeiro. Eu estava lá. O Mestre andou sobre a água. E no momento em que pisou no barco, estávamos salvos.

João faz nova pausa. A luz do sol, recortada por uma janela, forma uma moldura no chão. João se coloca dentro da moldura.

Então, ontem, os senhores se defrontaram com um homem que nunca havia visto a luz. Seu mundo era escuro. Negro. Ele era cego. Cego de nascença.

João pára e, de forma dramática, declara que o cego de nascença dissera:

Jesus curou meus olhos.

Seis depoimentos foram dados. Seis milagres foram examinados. João aponta para a mesa onde estão as provas: A jarra de água que recebeu o vinho. O atestado do médico que havia tratado o garoto doente. A maca do aleijado, a cesta do menino. Pedro trouxera um remo quebrado para mostrar a força da tempestade. E o cego deixara o copo e vara. Já não precisava mendigar.

E agora – diz João, voltando-se para o juiz, – temos a testemunha final e mais uma prova para submeter a o exame dos senhores.

Vai até sua mesa e volta com um lençol branco de linho. Você se inclina para frente, sem saber o que Le está segurando.

Isto é uma mortalha –explica.

Colocando o tecido sobre a mesa, solicita:

Meritíssimo, com sua permissão chamo a última testemunha para a corte, lázaro de Betanha.

 Abrem-se as portas pesadas da corte e entra um homem alto. Ele caminha pelo corredor e para em Jesus o tempo suficiente para colocar a mão sobre seu ombro e dizer:

Obrigado.

Pode-se ouvir a ternura em sua voz. Lázaro, então, volta-se e toma o lugar no banco das testemunhas.

Dê seu nome a corte.

Lázaro.

O senhor já ouviu de home chamado Jesus de Nazaré?

Quem não ouviu?

Como o senhor o conheceu?

É meu amigo. Nós, minhas irmãs e eu, temos uma casa em Betânia. Quando Ele vem a Jerusalém, costuma ficar conosco. Minhas irmãs, Maria e Marta, também passaram a crer nEle.

Crer?

É, crer que Ele é o Messias. O filho de Deus.

Por que o senhor crê nisso?

Lázaro sorri.

Como não creria? Eu estava morto. Eu estava morto havia quatro dias. Eu estava no túmulo. Oraram por mim e me sepultaram. Mas Jesus me chamou para fora do tumulo.

Conte-nos o que aconteceu.

Bem, sempre fui meio doente. É por isso que fiquei com minhas irmãs, o senhor sabe. Meu coração nunca foi muito forte, por isso precisava tomar cuidado. Marta, minha irmã mais velha, ela…, bem, ela é como mão para mim. Foi Marta que chamou Jesus quando eu coração falhou.

Foi então que o senhor morreu?

Não, mas quase. Sobrevivi alguns dias. Mas eu sabia que o meu fim estava chegando. Os médicos só entravam balançavam a cabeça e saíam. Estava com o pé na cova.

Foi então que Jesus veio?

Não, ainda tínhamos esperança de que viesse. Marta sentava-se perto da cama à noite, falando baixinho várias vezes: “Seja forte, Lázaro. Jesus chega a qualquer momento”. Só sabíamos que Ele chegaria. Quer dizer, Ele tinha curado todos aqueles estranhos; com certeza me curaria. Eu era amigo dEle.

O que o atrasou?

A causa do atraso não sabia. Pensei que estivesse preso ou algo parecido. Continuei esperando, esperando. Cada dia eu ia piorando. Minha vista se apagou, eu não conseguia enxergar. Eu me arrastava de um lado para o outro. Toda vez que alguém entrava no meu quarto, achava que era Ele. Mas nunca era. Ele não veio.

Você ficou bravo?

Mais confuso do que bravo. Simplesmente não estendia.

E o que aconteceu?

Bem, um a noite eu acordei. Meu peito estava tão apertado que mal conseguia respirar. Devo ter me sentado porque Marta e Maria chegaram perto da cama. Elas pegaram a minha mão. Ouvi que elas chamavam meu nome, mas aí eu comecei a cair. Era como um sonho: eu estava caindo, girando, rapidamente no ar. As vozes foram se apagando até que sumiram. Parei de rodar, parei de cair. E parou de doer. Eu estava em paz.

Em paz?

Como se estivesse dormindo. Descansando, tranqüilo. Estava morto.

E o que aconteceu?

Bom, Maria pode contar os detalhes. O funeral foi marcado a família veio. Os amigos viajaram de Jerusalém. Fui sepultado.

Jesus foi ao enterro?

Não.

Ele ainda não estava lá?

Não, quando Ele ouviu que eu tinha morrido, esperou mais quatro dias.

Por quê?

Lázaro parou e olhou para Jesus.

Para conseguir o que queria.

João sorriu.

O que aconteceu em seguida?

Ouvi a voz dEle.

Mas pensei que o senhor estivesse morto.

E estava.

Eu, ahn…, pensei que o senhor estivesse sepultado.

E estava.

Como é que uma pessoa morta e enterrada escuta a voz de homem?

Não escuta. Os motos só ouvem a voz de Deus. Eu ouvi a voz de Deus.

O que Ele falou?

Ele não falou, gritou.

O que Ele gritou?

Lázaro, venha para fora!

E você ouviu?

Como se e ele estivesse no tumulo comigo. Meus olhos se abriram; meus dedos se moveram. Levantei a cabeça. Estava vivo de novo. Ouvi a pedra sendo empurrada. A luz penetrou. Precisei de um tempo para meus olhos se acostumarem.

O que o senhor viu?

Um circulo de rostos olhando para mim.

Que fez então?

Eu me levantei, Jesus me deu a mão e me puxou para fora. Ele mandou o pessoal me arranjar umas roupas, e eles o fizeram.

Então o senhor morreu, ficou quatro dias no túmulo até que Jesus o chamasse de volta a vida? Há testemunhas desse fato?

Lázaro dá um leve sorriso.

Só umas cem pessoas.

É só, Lázaro, obrigado. O senhor pode descer.

João volta-se para o juiz.

O senhor ouviu as testemunhas. Deixo agora a decisão em suas mãos.

Dito isso ele retorna a sua mesa e se assenta. O guardião se levanta. Ele não se identifica. Não é preciso. Todos o reconhecem. É Jesus Cristo.

A voz de Jesus enche o ambiente.

Represento um órfão que é a soma de tudo isso que os senhores ouviram. Assim como a festa sem vinho, ele não tem motivo para festejar. Como o filho do dignitário, essa criança é espiritualmente doente. Como o aleijado e o mendigo, ele não consegue andar e é cego. Ele está com fome, mas a terra não tem comida para alimentá-lo. Ele enfrenta tempestades tão severas quanto à da Galiléia, mas a terra não tem uma bússola para guiá-lo. E, acima de tudo, ele está morto. Exatamente como Lázaro. Morto. Espiritualmente morto. Farei por ele o que fiz pelos outros. Vou lhe dar alegria, força, cura, visão, segurança, alimento, nova vida. Darei tudo a ele, caso o senhor o permita.

O juiz dá sua resposta:

Tu és meu filho amado, em ti eu tenho me comprazido (Lucas 3:22).

– Deus olha para você. –Eu permito – diz ele, – sob uma condição: que o órfão o peça.

João apresentou as testemunhas.

As testemunhas contaram suas histórias.

O mestre ofereceu a fazer por você o que fez pelos outros. Ele trará vinho para sua mesa, visão para seus olhos, firmeza para seus passos e, acima de tudo, poder sobre sua sepultura. Ele fará por você o que fez por eles.

O juiz deu sua bênção. O descanso está à sua espera.

Agora a escolha é sua.

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